Mostrando postagens com marcador zen. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador zen. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O Ladrão e a Lua

Ryokan, um mestre Zen, vivia a mais simples e frugal das vidas em uma pequena cabana aos pés de uma montanha. Uma noite um ladrão entrou na cabana apenas para descobrir que nada havia para ser roubado. Entretanto Ryokan voltou e o surpreendeu lá.
- Você fez uma longa viagem para me visitar e você não deveria retornar de mãos vazias. Por favor tome minhas roupas como um presente.
O ladrão ficou perplexo. Rindo de troça, ele tomou as roupas e esgueirou-se para fora. Ryokan sentou-se nu, olhando a lua.
- Pobre coitado, gostaria de poder dar-lhe esta bela lua.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Trabalhando Duro

Um discípulo foi ao seu mestre e disse fervorosamente:
"Eu estou ansioso para entender seus ensinamentos e atingir a Iluminação! Quanto tempo vai demorar para eu obter este prêmio e dominar este conhecimento?"
A resposta do mestre foi casual:
"Uns dez anos..."
Impacientemente, o estudante completou:
"Mas eu quero entender todos os segredos mais rápido do que isto! Vou trabalhar duro! Vou praticar todo o dia, estudar e decorar todos os sutras, farei isso dez ou mais horas por dia!! Neste caso, em quanto tempo chegarei ao objetivo?"
O mestre pensou um pouco e disse suavemente:
"Vinte anos."

Sem dualismo

"Parar nossa mente não quer dizer parar as atividades da mente. Isso significa que nossa mente impregna nosso corpo inteiramente. Com nosso espírito em sua plenitude, nós formamos com nossas mãos o "mudra"."

Dizemos que nossa prática deveria ser sem idéia de aquisição {ganho}, sem nenhuma expectativa, mesmo a de iluminação. Todavia, isto não significa simplesmente sentar-se sem nenhum objetivo. Esta prática sem idéia de aquisição se funda sobre o sutra Prajna Paramita. Se prestarmos atenção, entretanto, o sutra nos dará uma idéia de aquisição. Ele diz: A forma é vacuidade e a vacuidade é a forma." [I] - Mas se nos apegarmos a esta afirmação, nos arriscamos bastante em nos engajar em idéias dualistas: aqui a forma - e aqui a vacuidade, que experimentamos realizar através de nossa forma. Também "a forma é vacuidade e a vacuidade é forma" é ainda dualidade. Mas felizmente nosso ensinamento continua e diz: "a forma é forma e a vacuidade é vacuidade". [II] Aqui não há dualismo.

Quando achamos difícil parar nossa mente durante zazen e que continuamos tentando parar o fluxo de pensamentos, é o estágio de [I]. Mas, sempre praticando desta maneira dualista, chegamos pouco a pouco a unidade com nosso objetivo. E quando nossa prática se torna sem esforço, podemos parar nossa mente. É o estado [II].

Do livro Esprit Zen esprit neuf de Shunryu Suzuki